Viva o Teatro!

Hoje, celebra-se o teatro em todo o mundo. E o Pato Lógico celebra-o hoje e nos próximos quatro dias: até ao fim do mês, o atividário Teatro estará com 20% de desconto na nossa loja online.

Com mais de 200 entradas, de A a Z, este livro, escrito por Ricardo Henriques e ilustrado por André Letria, desvenda factos, personalidades e curiosidades surpreendentes - de Molière a Shakespeare, do palco aos bastidores, do galinheiro ao vomitório. Só para aguçar a curiosidade, aqui fica uma amostra do que lá encontrarás: 

Ator:

Apesar de os atores serem a matéria-prima do teatro, demoraram a conquistar fãs. Platão e Aristóteles não lhes pediam autógrafos, nem os Romanos ou a Igreja Católica, que os considerou agentes de Satã. Em França, eram vistos como desordeiros sem moral, e só a 25 de dezembro de 1789 é que saiu o decreto que lhes concedia o título de cidadãos. (...) Esta visão mudou gradualmente no virar do século XIX, quando o ator começou a interpretar e a mimetizar menos. Com a chegada do cinema, os atores famosos tornaram-se mais do que realeza: tornaram-se estrelas imortais. 

Galinheiro:

As pessoas que querem pagar menos vão para os galinheiros, as galerias mais altas da plateia, sem lugares sentados e com vista privilegiada para o cocuruto da cabeça dos atores.

Malagueta:  

É nesta estaca de madeira ou metal, inserida nos travessões das varandas de maquinismo, que se prendem os cabos de manobra que sustentam os cenários. Há duas por cada conjunto de cordas: a superior prende os cenários quando estão escondidos no urdimento, a inferior quando está em cena. 

Merda:

Quando as pessoas chegavam ao teatro em carruagens, os cavalos paravam à porta para as senhoras (...) e os senhores (...) saírem. Nessa altura, os animais faziam ali mesmo as suas necessidades, sem pensar uma vez. Entretanto, nos camarins, os atores esperavam por novidades dos moços de recados, que iam observar as movimentações na entrada e, na impossibilidade de contarem rabos de cavalo, punham os olhos no chão. Muitos cavalos, muitas fezes, portanto, muito público. Quando tal acontecia, os moços corriam pelos corredores junto aos camarins e gritavam a melhor notícia possível: «Muita merda! Muita merda!» A expressão ficou até hoje para desejar boa sorte. Outra história fala de uma noite em que a atriz Sarah  Bernhardt teve uma valente diarreia durante uma peça tendo mesmo de sair do palco. Ironicamente, a representação ter-lhe-á corrido tão bem que «merda» passou a ser um bom sinal.

Mulher:

Apesar de existirem exceções, só começaram a surgir atrizes no Renascimento, altura em que apareceram as primeiras companhias pagas para fazer teatro. Os medos religiosos e puritanos afastavam as mulheres dos palcos e viam com maus olhos a sua liberdade e independência. Okuni, a criadora do Kabuki, começou por dançar com roupas de homem, algo que foi imitado por várias prostitutas que, depois da performance, vendiam o corpo. Foi esta a razão que levou à proibição de mulheres no Kabuki. (...) A atriz francesa Marie Desmares, conhecida por La Champmeslé, trabalhou intimamente com Molière e Racine e foi uma das primeiras atrizes famosas da história. 

Sarah Bernhardt:

A rainha das atrizes de teatro (1844-1923). Em 1986, fez de Zanetto, um papel masculino na peça Le Passant, de François Coppée, um êxito que representou mais de 150 vezes. (...) Sarah vivia com macacos, papagaios e um puma, o qe ajudou a imortalizar a imagem de diva. (...) Foi empresária de vários teatros e disse. «Qualquer peça que exalte os grandes amores, a dor, o horror e o assassínio dá mais receita de bilheteira do que uma boa peça ajuizadamente humana.»

Superstição:

Aquela-peça-cujo-nome-não-pode-ser-pronunciado-dentro-de-um-teatro diz-se «a peça escocesa», para encurtar. Mas se alguém disser realmente »Macbeth», então terá de sair do teatro girar três vezes no sentido contrário aos ponteiros do relógio, cuspir e praguejar antes de voltar a entrar. (...) Há três bruxas assustadoras, atores mortos em cena, vários teatros ardidos (D. Maria II incluído) e várias tragédia reais no currículo desta peça. Outras superstições dramáticas incluem as cores azul, amarelo e verde: não se devem usar porque podem atrair azar ou apagar a memória. As penas de pavão estão proibidas, tal como flores, dinheiro ou joias verdadeiras. Nunca se deve dizer a última fala antes da estreia nem fazer malha nos bastidores. Ah, e nada de assobiar num teatro, porque os assobios eram exclusivos dos antigos maquinistas para comunicarem entre si as manobras de mudanças de cenários. 

Vomitório:

As passagens laterais dos teatros gregos (párodos) evoluíram para passagens maiores e abobadadas, os vomitórios, que permitiam a saída repentina e sem dramas das multidões dos teatros, anfiteatros e circos romanos. Não é preciso pôr a mão na testa para perceber o porquê do nome, pois não?