A Guerra é White Ravens

A Biblioteca Internacional da Juventude, o maior e mais prestigiado centro de literatura infanto-juvenil do mundo, não ficou indiferente à mais recente obra de José Jorge Letria e André Letria. A Guerra foi um dos 200 livros escolhidos para integrar o catálogo The White Ravens 2018.

O júri fala de uma obra que é, em si, um «todo magnífico», com frases que «reflectem pensamentos «profundos e poderosos pensamentos» sobre a guerra e imagens «inquietantes» e «de tirar o fôlego». Eis a crítica, na íntegra: 

O texto e as ilustrações deste livro podem ser lidos de forma independente. Ambos são, porém, literalmente e metaforicamente sombrios. Os dois campos tocam-se e misturam-se em várias ocasiões, formando um todo magnífico. O texto de José Jorge Letria é uma sequência de aforismos, todos introduzidos pela fórmula "A Guerra..." e cada um figurando autónomo numa página dupla. Estas frases reflectem profundos, intemporais, cativantes e poderosos pensamentos e imagens sobre as causas da guerra, a sua natureza, poder, ramificações e os seus estreitos laços com o ser humano. De forma sábia, André Letria não tentou ilustrar cada frase. Ao invés, usou o pincel e a aguarela para criar imagens sombrias, inquietantes e de tirar o fôlego, em tons cinza nevoeiro, que, só por si, podem ser lidas como um livro silencioso. Estas imagens falam de um mundo sombrio, que a guerra perpassa como uma fumaça, um mundo que é, por fim, destruído pela máquina de guerra fabricada pelos homens. 

Este é o terceiro livro do Pato Lógico distinguido por esta instituição, sediada em Munique. Vazio, de Catarina Sobral, e Barriga da Baleia, de António Jorge Gonçalves, também receberam o selo White Ravens, respectivamente em 2014 e 2015.