Rita Canas Mendes

E, afinal, quem é que nunca viu algo numa nuvem? Há quem veja coelhos e elefantes, há quem preveja chuva, há quem imagine teorias da conspiração...

Rita Canas Mendes nasceu em 1984, em Lisboa (onde vive), e cresceu no Estoril (para onde gostaria de voltar um dia).

Estudou Filosofia na Faculdade de Letras, com ênfase na Estética e na Filosofia da Arte, e tem uma pós-graduação em Edição – Livros e Novos Suportes Digitais, pela Universidade Católica. 

Em 2005, começou a trabalhar no mundo dos livros (Europress, Texto & Grafia, Antígona, Grupo Almedina) e desde 2011 que se dedica, em regime independente, às áreas de consultoria, tradução literária, edição de texto, copy e ghostwriting. As suas missões têm-na levado de Angola ao mundo da alta-cozinha. Pelo meio, tem feito formações de curta-duração (tipografia, livro ilustrado), que lhe permitiram explorar novos caminhos.

É autora de um guia prático sobre o mundo editorial (Como Publicar o Seu Livro) e do livro A Nuvem, com ilustrações de João Fazenda, recém-publicado pelo Pato Lógico. 

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Qual foi a primeira estória que te lembras de te contarem?
Sempre me contaram muitas histórias, não sei qual foi a primeira. Lembro-me de um livro em que se falava de «fuselagem», palavra a que me agarrei com força: «Ó mãe, o que é fuselagem?» E quem diz fuselagem diz croissant. Terá sido por essa altura que descobri o inesgotável interesse das palavras (e o apetite que algumas geram).


Que ilha levarias para um livro deserto?
Uma trocadilha, definitivamente. 


Qual é o teu pato favorito?
Conheci há pouco tempo um pato chamado Raimundo e gosto cada vez mais dele.


Que profissão é que nunca terias na vida?
Consigo imaginar-me a ter praticamente qualquer uma. Bem, talvez não tivesse jeito para equilibrista de circo ou para contabilista. Mas tudo dependeria do treino.


Musa inspiradora ou transpiradora?
Inspiradora. Depois quem transpira sou eu.


Crias sobre aquilo que conheces ou crias para ires conhecendo?
Para ir conhecendo. Surpreendo-me com as coisas que saem de dentro de mim, elas dão-me que pensar e mostram-me caminhos novos.


Com que idade é que se deixa de ser infantil?
Não há idade para isso. Podemos continuar infantis para sempre, a dar a mão à criança que fomos e somos.


O teu último livro fala de uma nuvem que, afinal, não é o que parece. Em que(m) pensaste ao criar esta alegoria?

Comecei a escrever esta história sem uma intenção específica à partida, mas à medida que avançava veio ao de cima uma coisa em que penso muito: a capacidade humana de atribuir significados a tudo, o que tem um lado maravilhoso mas também nos dá dores de cabeça. E, afinal, quem é que nunca viu algo numa nuvem? Há quem veja coelhos e elefantes, há quem preveja chuva, há quem imagine teorias da conspiração...